Cosmogonia, cosmologia e cristologia cósmica: o Cristo como criador, sustentador e senhor do universo nas cartas de Paulo aos Colossenses, Efésios e Filipenses
Palabras clave:
Paulo, cosmologia, cristologia cósmica, Império Romano, cosmogoniaResumen
Este artigo analisa a cosmologia e a cosmogonia presentes nas cartas de Paulo, com ênfase em Colossenses, Efésios e Filipenses. A partir de uma leitura histórica e retórica, demonstra-se que Paulo reelabora elementos da tradição judaica (criação pela Palavra e pela Sabedoria) e da filosofia helenística (logos estoico, cosmologia platônica) para construir uma visão cristológica do cosmos. O estudo mostra que Paulo insere Cristo como criador, sustentador e finalidade de todas as coisas, redefinindo o monoteísmo judaico e subvertendo categorias greco-romanas. Essa cristologia cósmica não se limita à teologia individual da salvação, mas funciona como estratégia retórica de identidade comunitária e como oposição simbólica ao Império Romano, que reivindicava domínio universal. Ao proclamar que “tudo subsiste em Cristo”, Paulo constrói um universo alternativo que desloca a centralidade do templo, da Torá e de César. Assim, sua teologia cósmica deve ser compreendida como discurso religioso e político, capaz de reorganizar o imaginário coletivo das comunidades protocristãs do Mediterrâneo.









